Os filmes que marcaram a vida de Zé Ibarra
Texto escrito por Ana Laura Pádua
Zé Ibarra estreia solo no Noize Record Club com AFIM (2025). O seu segundo disco solo chegará nas casas de todo o país em LP vermelho opaco, acompanhado pela revista NOIZE #168. Conhecido por integrar a banda Bala Desejo e por acompanhar Milton Nascimento em sua turnê de despedida, o músico inaugura um novo capítulo com este projeto.
Depois do intimista Marquês, 256. (2023), AFIM amplia horizontes: traz uma grande banda, arranjos de cordas e sopros, e produção assinada pelo próprio artista em parceria com Lucas Nunes. O álbum chega na sequência da indicação de Ibarra ao Grammy Latino pela faixa “Transe”, na categoria Melhor Canção em Língua Portuguesa.
Apesar de ainda não ter lançado videoclipes deste registro, o artista carioca sempre foi apaixonado por cinema – especialmente por filmes que o fazem refletir sobre a vida e a sociedade. “Acho que prefiro filmes difíceis; os fáceis não grudam”, pontua Zé Ibarra.
Entre os que mais o impactaram enquanto criava AFIM, ele elenca A Professora de Piano (2001), filme da autora austríaca Elfriede Jelinek, com direção de Michael Haneke, e atuação ímpar da atriz francesa Isabelle Huppert. “Vale muito a pena ver. Foi importante para mim, mexe com a gente, e a gente não sai igual. Não sei se sai melhor, mas eu gosto assim!”, brinca o músico.
Outro título marcante visto pela primeira vez na adolescência é Cinema Paradiso (1988), com direção e criação do italiano Giuseppe Tornatore. “É muito bonito, um filme sobre o amor entre um menino e um projecionista de cinema. Tem uma das trilhas mais lindas que já ouvi. É romântico até dizer chega, e transporta a gente para um imaginário muito poderoso”, comenta.
Zé Ibarra também cita Deus da Carnificina (2011) como referência, filme escrito e dirigido pelo francês-polonês Roman Polanski e adaptado pela peça da francesa Yasmina Reza. A atriz britânica Kate Winslet e o ator americano John C. Reilly são as estrelas do título. “É uma comédia que eu amo — difícil de ver porque constrange até a última gota da nossa existência. Dá para chorar de rir e de desespero ao mesmo tempo”, conta Zé Ibarra.
